Quatrocentas entrevistas para entender como o futebol sintoniza gerações no Brasil. Do clube-peça-central à Seleção distanciada, da Copa do Mundo ao streaming fragmentado, uma leitura da paixão que atravessa, e redesenha, o país.
No Brasil, o futebol nunca é só futebol. Ele é linguagem social, marcador de pertencimento, rotina familiar, economia afetiva e hoje também, cada vez mais, jornada de consumo digital fragmentada. O Eu vi o Brasil dedicou um report inteiro a esse tema porque acredita que entender a frequência da torcida é entender uma das batidas mais fortes do país contemporâneo.
O estudo foi desenhado para mapear como o futebol continua sendo central na vida do brasileiro, como ele se transformou e como ele se fragmenta entre gerações, entre clubes, entre a Seleção e a Copa do Mundo, entre a TV aberta e o streaming.
Todos acreditam que o Brasil é o país do futebol, mas o que isso significa na prática? Para ir além do lugar-comum, desenhamos um estudo quantitativo robusto via painel online, com amostra representativa do Brasil contemporâneo.
A amostra foi estratificada por gênero, geração, classe social e nível de vínculo com o futebol, garantindo representatividade das diferentes formas de torcer. A pesquisa combina dados de comportamento (frequência de consumo, meios utilizados, locais de assistência) com percepção emocional (relação com o clube, com a Seleção, com a Copa do Mundo e com marcas patrocinadoras).
Os dados do Censo 2022 (IBGE) foram usados como base de referência populacional, e a análise cruza recortes geracionais (Gen Z vs. gerações anteriores), de engajamento (torcedores fanáticos vs. casuais) e de plataforma (TV aberta, streaming, redes sociais, apps esportivos).
Antes de mergulhar nos quatro capítulos analíticos, o estudo revelou números de base que dimensionam o lugar do futebol na vida do brasileiro, e que ajudam marcas a calibrar investimento, linguagem e timing.
44% planejam acompanhar o maior número possível de jogos da Copa, 29% a maior parte. Apenas 21% planejam ver somente alguns jogos. A Copa segue como evento mobilizador mesmo com a Seleção distanciada.
31% dos torcedores dizem reparar em marcas dentro do estádio, um filtro emocional e exigente. Fora do estádio, apenas 26% notam marcas no trajeto. A presença física ganha relevância quando o torcedor está imerso na experiência.
O torcedor não vive mais uma jornada linear. Vídeos para redes sociais, envio para amigos, debates em tempo real. A experiência se distribui entre plataformas, e cada um constrói sua própria maneira de estar presente.
O report está estruturado em quatro capítulos que caminham do emocional para o analítico, do grito do gol ao comportamento de consumo digital que reorganiza como, quando e com quem se assiste futebol hoje.
O futebol funciona como um idioma comum que conecta pessoas de diferentes gerações, regiões e realidades sociais. Muito antes de ser competição, se tornou uma forma de socialização e de contar histórias sobre quem somos. A relação quase sempre começa em casa, com algum familiar abrindo a porta para esse universo, a primeira camisa, o primeiro estádio, os rituais em dia de jogo. A emoção vira tradição, a tradição vira história, e a história se transforma em herança.
Como se vive futebol no cotidiano: 86% acompanham semanalmente, usando em média 4,7 meios diferentes. O torcedor de hoje não vive mais uma jornada linear, constrói sua própria maneira de estar presente, entre TV, streaming, apps esportivos e redes sociais. O estádio continua importante, mas não é o único espaço da experiência. A casa é o local principal; casa de amigos e familiares, o segundo. 45% usam carro próprio para ir ao estádio, 23% recorrem a apps de transporte.
Jovens de 16 a 27 anos vivem o futebol de forma radicalmente diferente dos seus pais: menos TV aberta, mais streaming, mais jornada fragmentada, mais redes sociais como porta de entrada. Um futebol em peças, mas ainda central. A relação do torcedor jovem com o clube se tornou pública, constante e compartilhável. Fazer registros em vídeo para redes sociais e enviar para amigos são as atividades mais comuns durante jogos.
O clube é a peça central, quando o torcedor pensa em futebol, pensa no time do coração. A Seleção, por outro lado, perdeu parte da força emocional: muitos não conseguem citar jogadores convocados, e o 7 a 1 de 2014 deixou uma ruptura profunda. Quando o assunto é confiança nos jogadores ou comprar produtos, a Seleção desperta bem menos entusiasmo que o clube. Ainda assim, 44% planejam acompanhar o máximo de jogos da Copa, o último grande ritual unificador.
Entre os achados mais relevantes do report, quatro tensões se destacam e ajudam marcas, agências e times de conteúdo a entender onde estão as oportunidades reais de conexão com o torcedor médio brasileiro.
O clube, e muitas vezes o clube estadual ou regional, segue como a âncora mais forte da identidade futebolística do brasileiro. A relação é diária, quase doméstica, e muito mais estável que a relação com a Seleção.
A Seleção Brasileira aparece com relação mais fria do que o imaginário romântico sugere. Há paixão nos grandes torneios, mas há também um distanciamento crescente no dia a dia, especialmente entre as gerações mais jovens.
A Copa do Mundo segue sendo o último grande ritual unificador do futebol no Brasil. É o momento em que o distanciamento cotidiano da Seleção se dissolve e a paixão volta a atravessar todas as geografias, classes e idades.
A multiplicação de plataformas de streaming fragmentou a jornada de consumo. O torcedor hoje monta seu próprio mosaico de lives, cortes, podcasts, redes sociais e transmissões pagas, um futebol em peças, nunca mais em canal único.
Gen Z e millennials vivem futebol em jornadas radicalmente distintas das gerações anteriores. Menos TV aberta, mais fragmentos, mais redes sociais como porta de entrada, mais consumo simultâneo de múltiplas telas durante a mesma partida.
Mesmo quem não é fã declarado de futebol usa o futebol como linguagem social: memes, piadas, grupos de WhatsApp, referências de trabalho. É uma infraestrutura cultural que opera mesmo quando a prática de assistir não está presente.
O report é insumo direto para decisões de patrocínio esportivo, comunicação ancorada em futebol, planejamento de Copa do Mundo, estratégia de conteúdo para plataformas e recortes geracionais de campanhas que querem conversar com o torcedor brasileiro de verdade.
Marcas de bebidas, apostas, telecom, varejo, alimentação e financeiras usam o estudo para calibrar linguagem, canal, timing e intensidade de investimento em períodos de torneio, e para entender o que funciona fora dele, no cotidiano estável da paixão de clube.
O report está disponível em versão completa sob licenciamento, com apresentação dedicada ao seu time e possibilidade de recortes customizados por geração, região ou comportamento específico de consumo.