O retrato qualitativo e quantitativo das 278 cidades brasileiras com 100 mil a 500 mil habitantes, onde vive mais de um quarto da população do país e se desenha o futuro do consumo, do trabalho e da cultura fora do eixo metropolitano.
Os resultados do Censo 2022 mostraram que as capitais brasileiras, pela primeira vez em décadas, perderam população em termos relativos. As cidades médias, aquelas entre 100 mil e 499 mil habitantes, passaram a puxar o crescimento populacional do país. Hoje são 278 municípios, onde vivem mais de 56,7 milhões de pessoas, pouco mais de um quarto de toda a população brasileira.
Esse movimento não é apenas demográfico. Ele é sustentado por uma economia que mudou de geografia: o agronegócio, que hoje representa cerca de um quarto do PIB nacional, tem boa parte do seu motor localizado exatamente nessas cidades médias, no Matopiba, no oeste da Bahia, no centro-oeste em expansão, no interior de Minas e São Paulo. Onde a renda cresce, o consumo muda de forma e a cultura local ganha escala nacional.
Ainda assim, a leitura dominante sobre o Brasil, em marcas, em comunicação, em planejamento estratégico, continua ancorada no eixo Rio-São Paulo. O Eu vi o Brasil nasce para corrigir essa miopia e propor uma escuta proporcional à importância real dessas cidades.
O estudo foi desenhado com três objetivos centrais que se reforçam: entender como se vive, como se consome e como se decide nas cidades médias brasileiras hoje.
Mapear rotinas, rituais e jornadas cotidianas dos moradores: como é um dia comum, uma semana, um ano de vida nessas cidades. Onde se trabalha, como se movimenta, com quem se convive, o que se celebra.
Entender as categorias que crescem, as marcas que ganham preferência, as jornadas de compra (o que vira online, o que fica presencial), o papel do comércio local vs. o da chegada de grandes redes.
Identificar as tensões e sínteses entre tradição e modernidade, entre o que chega de fora e o que se produz localmente, entre a aspiração metropolitana e o orgulho do lugar.
As cidades foram selecionadas entre aquelas que mais cresceram no Censo 2010–2022, em diferentes regiões do país. Cada uma representa um vetor distinto de expansão do Brasil médio contemporâneo: o minério, o agronegócio, a mancha urbana metropolitana e a nova fronteira agrícola do Cerrado nordestino.
A cidade que cresce em torno da maior mina de ferro do mundo. Economia pautada pela Vale, migração de todo o país, renda alta e desigualdade visível, cultura urbana em construção acelerada.
Maior produtora de soja do país. Renda per capita elevada, forte presença de migrantes do Sul, cultura do agronegócio como linguagem cotidiana, consumo de status e máquinas como marcadores.
Cidade jovem na região metropolitana de Curitiba. Dormitório em transformação em centro próprio. Famílias de classe C e D em ascensão, relação orbital com a capital e consumo híbrido.
Fronteira do Matopiba. Fundada em 2000, já é um dos maiores polos de grãos e algodão do país. Migração gaúcha e paranaense, arquitetura de boomtown, sociabilidade bifronte Bahia-Sul.
O estudo combina três camadas de evidência para garantir que o que se vê em campo se sustenta estatisticamente, e que os números não escondem a nuance que só a imersão captura.
Quatro etnografias por cidade, cada uma com seis horas de permanência na casa e no bairro do entrevistado, incluindo uma entrevista estruturada de uma hora e meia e observação participante do cotidiano.
Duzentas e cinquenta entrevistas quantitativas por cidade, estratificadas por renda, gênero, idade e região da cidade. Validam e dimensionam as hipóteses levantadas na etapa qualitativa.
Equipe composta por pesquisador sênior da IMO e videomaker local, garantindo presença prolongada em campo e registro visual sistemático. Material de consulta permanente para marcas e times.
O estudo completo Cidades Médias, Grandes Pistas está disponível sob licenciamento, com apresentação dedicada ao seu time e recortes customizados por categoria ou região.